domingo, 31 de julho de 2011

Novas pesquisas confirmam que tarefas diárias como cozinhar e cuidar do jardim também protegem os neurônios

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/07/29/novas-pesquisas-confirmam-que-tarefas-diarias-como-cozinhar-cuidar-do-jardim-tambem-protegem-os-neuronios-925008508.asp
Antônio Marinho (amarinho@oglobo.com.br)



RIO - Caminhar pelo bairro, cozinhar, cuidar do jardim e outras tarefas rotineiras gastam poucas calorias, mas podem ser os melhores exercícios para deixar o seu cérebro em forma e evitar falhas de memória, antes e depois dos 60 anos. A boa notícia de que não é preciso se esfolar em exercícios intensos e suar em bicas para ter neurônios ativos por muitos anos foi comprovada em pelos menos três estudos divulgados esta semana, e pesquisadores brasileiros confirmam que atividades leves a moderadas protegem o cérebro de verdade.
Um dos estudos, liderado por Laura Middleton, da Universidade de Waterloo, no Canadá, mediu o gasto energético e a capacidade cognitiva de adultos acima de 60 anos, por dois a cinco anos. A maioria lidava com tarefas domésticas e os dados surpreenderam.
- O grupo mais ativo sofreu poucos danos cognitivos. Nosso estudo indica que não é preciso se dedicar a um treino vigoroso para proteger a mente - afirma Laura, cuja pesquisa foi publicada na "Archives of Internal Medicine". - Isso é alentador e deveria inspirar aqueles que se incomodam só com a ideia de ter que fazer qualquer exercício.
Pouco tempo já faz efeito
Outra pesquisa, coordenada por Jae H. Kang, do Hospital de Brigham e da Mulheres da Escola de Medicina de Harvard, apontou resultado semelhante. A equipe acompanhou durante cinco anos mulheres de 70 anos com risco de doenças cardiovasculares, que contribuem para derrame e demência. O máximo de esforço que elas faziam era caminhar. Mesmo assim testes indicaram declínio na velocidade de perda cognitiva nas mais ativas.
Isso não surpreende a psicóloga Aline Sardinha, do Laboratório de Pânico e Respiração (IPUB/UFRJ). O exercício ajudaria a liberar substâncias cerebrais que, além de bem-estar e redução da ansiedade, favorecem o desenvolvimento de neurônios e a formação de novas conexões (sinapses), o que permitiria manter a capacidade cognitiva.
- As atividades domésticas também exigem que o cérebro exercite sua capacidade cognitiva, de processar informação, de organizar o comportamento através de planos, de armazenar itens na memória, de focalizar a atenção. Isso ajuda a compensar perdas neuronais, pela formação de sinapses ou fortalecimento das já existentes - diz Aline.
E vale se mexer em qualquer idade, porque as formações de neurônios e de novas sinapses (neuroplasticidade) continuam ocorrendo em algumas partes do cérebro, como o hipocampo, área importante para memória e aprendizado.
- Atividades em geral parecem ter algum efeito protetor - afirma a psicóloga.
Turíbio Leite de Barros Neto, coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (CEMAFE) e professor da Unifesp, concorda.
- Os exercícios mais leves podem proporcionar mais benefícios ao cérebro porque a sensação de prazer ao praticá-los são um ingrediente essencial para a química cerebral - comenta Turíbio. - O que parece importante é acumular um certo gasto calórico, cerca de 2.200 calorias por semana em atividades físicas e/ou ocupacionais, pelo menos três vezes por semana.
O neurologista Sérgio Novis, da Academia Nacional de Medicina, é da mesma opinião, e diz que as atividades leves a moderadas ajudam a controlar pressão alta e diabetes, fatores que contribuem para a demência vascular.
- A atividade física estimula a circulação melhorado o metabolismo cerebral - diz.
Foi o que indicou outro trabalho inédito realizado por uma equipe da Universidade de Columbia Britânica, publicado na revista "Neurobiology of Aging". Este estudo concluiu que o treino leve com pesos melhorou o fluxo de sangue e a capacidade de raciocínio em mulheres acima de 60.
Depois de passarem 12 meses se exercitando com pesos duas vezes por semana, elas tiveram desempenho superior em testes de capacidade mental em relação ao grupo de controle que havia participado de um programa para melhorar o equilíbrio e o tônus muscular. Imagens de ressonância revelaram que áreas do cérebro que controlam o pensamento permaneciam mais ativas nas mulheres que se exercitaram com musculação leve.
Também a equipe da pesquisadora Andrea Deslandes, do laboratório de Neurociência da Atividade Física na UFRJ e na UGF, constatou que a atividade física leve é excelente para o cérebro de idosos, conta o professor Andre Leta, diretor-técnico da Pro Forma. As pesquisas mostraram melhora significativa na saúde do cérebro com apenas duas sessões semanais de 30 minutos de treino aeróbio e força.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A felicidade exige valentia.

A felicidade exige valentia.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

FRASE DO DIA

Levantou os braços, mexeu o joelho e tudo fez 'crec' ?
Você não está velho(a), está crocante !…

domingo, 10 de julho de 2011

Idade da inovação - O Globo - 10/7/2010

Crescimento e rejuvenescimento da população idosa abre caminho para a projeção de negócios criativos
Paula Dias 
Não é simples encontrar quem se preocupe em descobrir o que quer o consumidor da Terceira Idade. Achando que se trata de um mercado restrito, a maioria dos empreendedores se limita a adaptar, para esse grupo, produtos e serviços que já existem. Ou a cumprir a lei, criando caixas preferenciais, por exemplo. Mal sabem eles que o público com mais de 65 anos deixou de ser um mercado potencial para se tornar real: a população idosa não só está crescendo, como envelhecendo melhor. E, de olho nessa tendência, o pulo do gato está em pensar negócios criativos e inovadores para o grupo, garantem especialistas em marketing e varejo.
As oportunidades são inúmeras e englobam vários segmentos, como turismo, estética, educação e tecnologia. A indústria brasileira de cosméticos já tem xampus próprios para cabelos envelhecidos e grisalhos, mas não para realçar os fios brancos. Abrir um hotel apropriado para o estilo de vida dessas pessoas também pode ser um bom filão. E que tal desenvolver aplicativos para celulares e produtos eletrônicos com interfaces mais simples, com comando de voz?
Segundo o consultor Marcos Morita, especialista em estratégias empresariais, não importa qual seja a escolha do empreendedor que deseje investir na área: assumir um posicionamento genérico diante desse novo grande público pode ser um tiro no pé.
- Como há diversos grupos de consumo dentro dessa camada da população, a tendência nos próximos anos caminha para uma maior segmentação do mercado. É preciso definir um público-alvo e identificar onde ele está - diz Morita, para quem o processo reserva muitas surpresas. - O estereótipo que muitas pessoas têm em relação aos idosos será, aos poucos, desmistificado.
Tudo porque quem já entrou na faixa dos 60 anos dificilmente traz características semelhantes às dos seus avós. Segundo dados preliminares do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 65 passou de 5,9%, em 2000 para 7,4% em 2010 - crescimento motivado pelo declínio do nível de fecundidade associado ao aumento da expectativa de vida, o que não chega a inverter a nossa pirâmide etária, mas mostra que, até 2050, o número de idosos vai crescer e muito no país.
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'Gente que é tão capaz hoje quanto era ontem'
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Segundo Marise Ugalde, professora de comportamento do consumidor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-RS) e consultora em marketing de varejo, os representantes desse grupo estão envelhecendo tão inteligentes, capazes e inovadores quanto eram quando jovens.
- É um público que gosta de lazer, aprecia carros novos e não abre mão de viajar, por exemplo. Por isso é tão importante pesquisar motivações individuais, atitudes e estilos de vida. Já as mudanças físicas, mentais e sociais que acompanham o envelhecimento trazem desafios para as empresas que desejam apostar no segmento, que quer ser bem atendido, sem ser tratado como incapaz - resume Marise, que aponta alguns cenários promissores no varejo e no ensino. - É preciso ir além da personalização do atendimento e da adaptação das lojas. No ensino, há mais a ser feito do que criar cursos ocupacionais.
Como são raros os exemplos de empresas que pensam fora da caixa em relação a esse público, largam na frente as que já entenderam a importância de usar seus centros de pesquisa para criar soluções temáticas e criativas, como a Natura, de cosméticos; Tecnisa, de construção civil; e CVC, de turismo.
Na Tecnisa, um grupo multidisciplinar formado por professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), arquitetos, engenheiros, geriatras e terapeutas ocupacionais procurou entender as necessidades dos idosos antes de criar empreendimentos inclusivos para eles. Rampas, escadas submersas para facilitar o acesso às piscinas, pisos antiderrapantes e portas mais largas são algumas alterações que podem ser conferidas no edifício Acqua Play, em Santos.
- Atitudes que incluam o idoso representam uma mudança de cultura na construção civil. O estudo serviu para entendermos que um prédio pode incluir esse público e, ao mesmo tempo, agradar pessoas de outras idades - diz a arquiteta Patrícia Valadares, gerente de Projetos da Tecnisa. Continua na página 3 - Caderno Boa Chance