sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entrando nos sessenta (Ruth de Aquino)

A reação de homens e mulheres ao passar dos anos é diferente? Depende. Da velhice, só escapa quem já morreu. 
Como a mulher e o homem confrontam os 60 anos? O novo filme da diretora Julie Gavras, exibido na mostra internacional de São Paulo e com estreia prevista para 11 de novembro, trata de envelhecimento. De como esconder ou assumir a idade. Aos 60 você se sente maduro, curioso e sábio ou velho, amargo e ultrapassado? O título do filme no Brasil é assombrosamente ruim e apelativo: Late bloomers – O amor não tem fim. “Late bloomer” é uma expressão inglesa que denomina quem amadureceu tardiamente. Em francês, a tradução do título é clara e objetiva: Trois fois vingt ans (Três vezes 20 anos). Uma conta básica de multiplicação mostra que você já viveu bastante. Um dia teve 20 anos. Também comemorou ou receou os 40. E agora, aos 60, passa para o time dos velhos. Ou não?
Isabella Rossellini (Mary) e William Hurt (Adam) fazem o casal protagonista. Devido a um súbito lapso de memória, a mulher, professora universitária, percebe que envelheceu e toma medidas concretas em casa. Aumenta o tamanho dos números no aparelho de telefone, coloca barras na banheira para o casal não escorregar. O homem, arquiteto famoso, se recusa a se imaginar velho, passa a conviver só com jovens e a se vestir como eles. Ela faz hidroginástica, mas se sente fora d’água, organiza reuniões com idosas e mergulha em trabalhos voluntários. Ele vai para o bar, bebe energéticos e vira a noite. Cada um se apega a sua visão de como envelhecer melhor, sem concessões. Ambos acabam tendo casos extraconjugais. Há nos dois um desespero parecido. Mary exagera na consciência da proximidade da morte. E Adam exagera na negação. Depois de décadas de amor sólido, com os três filhos fora de casa e já com netos, o casal se vê prestes a engrossar as estatísticas dos divorciados após os 60 anos, ao descobrir que se tornaram estranhos e por isso ficam melhor sozinhos e livres. O filme é uma comédia romântica para a idade avançada, um gênero quase inexistente.
Julie Gavras não encontrou nenhuma atriz francesa que assumisse com humor os dilemas de uma sexagenária. “Precisava de alguém com a idade certa, mas que não tivesse feito cirurgia plástica”, diz Julie. “Isabella foi perfeita porque entende que, quanto mais velha fica, mais liberdade tem.” Na França, diz a cineasta, “a idade é uma questão delicada para a mulher”. No Brasil, que cultua a juventude feminina como moeda de troca, é mais ainda. Isabella, um dos rostos mais lindos do cinema, disse ter adorado fazer um filme sobre envelhecimento: “São tão poucos e tão dramáticos. E minha experiência tem sido pouco dramática, aliás bem cômica às vezes. Mulheres envelhecendo são vistas como uma tragédia e foi preciso uma cineasta mulher para ver diferente”.
A reação de homens e mulheres ao passar dos anos é diferente? Depende. Da velhice, só escapa quem já morreu
Homens e mulheres reagem de maneira desigual à passagem dos anos? É arriscado generalizar. Depende de cada um. Compreendo que mulheres de 60 sintam mais necessidade de parecer jovens e desejáveis – mas alguns homens idosos se submetem a riscos para continuar viris. A obsessão da juventude eterna criou um grupo de deformadas que se sujeitam a uma cirurgia plástica por ano e perdem suas expressões. Mas também fez surgir outro tipo de sexagenárias, genuinamente mais belas, mais em forma, mais ativas e saudáveis enfim.
“As mulheres nessa idade querem aproveitar o mundo, viajar, passear, dançar, ver filmes e peças, fazer cursos. Os homens querem ficar em casa, curtir a família, os netos”, afirma a antropóloga Mirian Goldenberg, que acaba de publicar um livro sobre a travessia dos 60. “Elas se cuidam mais, eles bebem mais. Elas vão a médicos, fazem ginástica, eles engordam, gostam do chopinho com amigos ou sozinhos. Elas envelhecem melhor, apesar do mito de que o homem envelhece melhor. Muitas me dizem: ‘Pela primeira vez na vida posso ser eu mesma’.”

Da velhice ninguém escapa, a não ser que a morte o resgate antes. Cada um lida com ela de forma pessoal e intransferível. O escritor Philip Roth, aos 78 anos, diz que “a velhice não é uma batalha; é um massacre”. Mas produz compulsivamente. Woody Allen, de 75 anos, dirige um filme por ano, mas acha que não há romantismo na velhice: “ Você não ganha sabedoria, você se deteriora”. Para Clint Eastwood, de 81 anos, que ficou bem mais inteligente e charmoso com a idade, envelhecer foi uma libertação: “Quando era jovem, era mais estressado. Me sinto muito mais livre hoje. Os 60 e 70 podem ser os melhores anos, desde que você mude ou evolua”. Prefiro acreditar em Eastwood. Por mais que a sociedade estabeleça como idoso quem tem acima de 60, a tendência é empurrar o calendário para a frente. Hoje, para os sessentões, velho é quem tem mais de 80. Os octogenários produtivos acham que velho é quem passou dos 90. No fim, velho mesmo é quem já morreu e não sabe.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

'Filhos devem incentivar a autonomia dos pais idosos', diz geriatra

Globonews  Edição do dia 01/11/2011- 31/10/2011 19h32
População de idosos aumenta no ritmo do crescimento do Brasil. 

Hoje, mais de 7% já passaram dos 65 anos, de acordo co
 o último censo do IBGE.

A população de idosos aumenta no ritmo do crescimento do Brasil. Há 20 anos, menos de 5% dos brasileiros tinham atingido a terceira idade. Hoje, mais de 7% já passaram dos 65 anos, de acordo com o último censo do IBGE. O envelhecimento da população é uma novidade para a medicina, para as famílias e para os próprios indivíduos. Ninguém discute que o desafio de amadurecer com qualidade de vida começa cedo e não termina jamais.

A dificuldade está em conjugar cuidado com autonomia nas doses certas. É o que alertam os especialistas ouvidos neste Espaço Aberto Saúde. A geriatra Tânia Guerreiro explica que os filhos precisam acompanhar o envelhecimento dos pais de perto, mas também devem incentivar a autonomia para que o idoso mantenha a independência e não se sinta incapaz: “É preciso haver bom censo. Deve-se estar presente, supervisionar, acompanhar. Mas, por outro lado, é preciso dar força para o indivíduo seguir com a própria vida e encarar novos desafios”.

Veja outros cuidados no vídeo==> Filhos devem incentivar a autonomia dos pais idosos', diz geriatra

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

EXPRESSÕES CURIOSAS




JURAR DE PÉS JUNTOS: 
"Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu". A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz. 

MOTORISTA BARBEIRO 

"Nossa, que cara mais barbeiro!" No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.. 

TIRAR O CAVALO DA CHUVA: 

"Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!" No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa. 

À BEÇA
O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas. 

DAR COM OS BURROS N'ÁGUA 

A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo. 

GUARDAR A SETE CHAVES: 

No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado.. 

OK: 
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK". 

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS 

Existe uma história, não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou, por entregar Jesus, dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu a expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. 

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA 

A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu. 

PARA INGLÊS VER: 

A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas 
"pra inglês ver". Daí surgiu o termo. 

RASGAR SEDA 

A expressão, que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa". 

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER 

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver. 

ANDAR À TOA: 

Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. 
Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar. 

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO 

Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos. 

DA PÁ VIRADA: 

A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita. 

NHENHENHÉM 

Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen". 

VAI TOMAR BANHO 

Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. O cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho". 

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM 

Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês, que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português, que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: "Nós somos brancos, cá nos entendemos". 

A DAR COM O PAU 
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sopa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão. 

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FUR
A: 

Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a.C. - 18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Estamos obcecados com "o melhor".

Excelente texto da jornalista Leila Ferreira 
  Leila Ferreira é uma jornalista mineira  com  mestrado em Letras e doutora em Comunicação, em Londres.  
Apesar disso, optou por viver feliz uma vidinha mais simples, em Belo Horizonte... 
(Leila Ferreira)  
  
Estamos obcecados com "o melhor".  
Não sei quando foi que começou essa mania, mas  
hoje só queremos saber do "melhor". 

Tem que ser o melhor computador, o melhor carro,  
o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor  
operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. 

Bom não basta.  

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os  
outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes,  
porque, afinal, estamos com "o melhor". 

Isso até que outro "melhor" apareça -  
e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.  

Novas marcas surgem a todo instante.  
Novas possibilidades também. E o que era melhor,  
de repente, nos parece superado, modesto, aquém  
do que podemos ter. 

O que acontece, quando só queremos o melhor,  
é que passamos a viver inquietos, numa espécie  
de insatisfação permanente, num eterno desassossego.  

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos,  
porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.  

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos  
ter mais do que temos. 
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os  
outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor,  
comprando melhor, amando melhor, ganhando  
melhores salários. 

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás,  
de preferência com o melhor tênis.  

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.  
Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.  

Se não dirijo a 140, preciso  
realmente de um carro com tanta potência?  

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que  
subir na empresa e assumir o cargo de chefia que  
vai me matar de estresse porque é o melhor cargo  
da empresa?  

E aquela TV de não sei quantas  
polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?  

O restaurante onde sinto saudades da comida de  
casa e vou porque tem o "melhor chef"?  

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado  
porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?  

O cabeleireiro do meu bairro tem  
mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? 

Tenho pensado no quanto essa busca 
permanente do melhor tem nos deixado  
ansiosos e nos impedido de desfrutar o  
"bom" que já temos .  

A casa que é pequena, mas nos acolhe. 

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.  

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos  
faz mais felizes do que os homens "perfeitos". 

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu,  
mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo...  

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas  
das histórias que me constituem. 

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e  
sente prazer. 

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?  

Ou será que isso já é o melhor e, na busca de tudo que nos dizem ou imaginamos ser "melhor", a gente nem percebeu?


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Você Sabia?

É aconselhável trocar de travesseiro  a cada 2 anos. A cabeça é a parte do corpo com mais secreções: Saliva, coriza, lágrimas, cera, suor, seborreia, cremes, perfumes, maquiagem e tinturas, o que aumenta a proliferação de ácaros, fungos e bactérias no travesseiro.

Os ácaros são os principais causadores de diversas doenças de fundo alérgico. Um travesseiro sem tratamento anti ácaro, com 6 meses de uso, contém cerca de 300.000 ácaros. Bastam, 100 a 500 deles para provocar crises alérgicas.

Qual a ligação entre estes dois objetos?

Se você entendeu, parabéns, está ficando velho.

Saída para aposentados endividados


Saída para aposentados endividados
JURANDIR SELL MACEDO e MARTIN CASALS IGLESIAS
O GLOBO - 16/09/11 


Grande parte dos idosos brasileiros da classe média não acumulou um bom patrimônio durante a vida e passa por apertos financeiros na aposentadoria. Os gastos com medicamentos, plano de saúde e exames aumentam nesse período. A renda, no entanto, tende a diminuir. Para muitos, resta apenas a casa em que moram e a dura realidade de ter que vender este bem para continuar se sustentando.

Essa situação poderia ter solução se no Brasil tivéssemos um bom sistema de hipoteca reversa. Através dela, o idoso vende a casa, mas pode continuar morando no imóvel e ainda recebe uma renda mensal. Pode parecer um sonho, mas é algo bem possível. A hipoteca reversa, ou reverse mortgage, faz sucesso nos Estados Unidos e na Austrália e deveria ser implantada no Brasil.

No Estados Unidos, o acesso a esse tipo de hipoteca é permitido a pessoas com mais de 62 anos. A casa em questão deve ser a principal moradia do interessado e dívidas de financiamentos anteriores devem estar quitadas. Com a hipoteca reversa, a pessoa pode trocar o valor da casa por uma renda mensal. É uma forma de complementar a aposentadoria. O idoso abre mão de deixar uma herança aos descendentes, mas evita depender dos filhos e netos ainda em vida. O banco recebe o retorno sobre o investimento quando a pessoa morre ou precisa abandonar a casa. Nesse caso, a casa é transferida ao banco, que vende o imóvel para recuperar seus investimentos.

Ao contrário dos financiamentos normais, na hipoteca reversa é como se o banco fosse comprando o imóvel lentamente, com pagamentos de uma renda mensal. Se a renda for paga por um prazo fixo, ela é direcionada aos herdeiros em caso de morte do morador e o imóvel passa a ser do banco na data estipulada. Já se o idoso optar por receber a renda enquanto viver, ela se extingue no momento em que a pessoa morre, ocasião em que o banco receberá o pagamento. Enquanto vive no imóvel, o antigo proprietário é obrigado a pagar os impostos e o seguro residencial.

Mesmo parecendo complicado, o negócio é bastante simples para todos os envolvidos. O proprietário está vendendo a casa e comprando o direito de morar nela por um tempo ou por toda a vida. No caso de escolher morar até o fim da vida, o banco vai trabalhar com uma previsão de quanto tempo ele vai viver, com base nas tábuas atuariais. Se viver menos, o banco ganha. Se viver mais, o banco perde. A diferença entre o preço de venda e o custo dos aluguéis futuros é direcionada para a compra de uma renda mensal vitalícia - o que já é comum nos planos PGBL ou VGBL no Brasil.

A hipoteca reversa constitui mecanismo natural de alavancar o consumo dos idosos. Muitas pessoas em idade avançada detêm grande parte de sua riqueza financeira na forma do imóvel em que moram. Dadas as características atuais do mercado imobiliário brasileiro, esse patrimônio acumulado é ilíquido caso se faça a opção por continuar a residir nele.

Mas para que esta modalidade de negócio entre em operação no país é essencial que seja definido o marco legal. Em primeiro lugar, a ausência de características regulatórias bem definidas levará a disputas judiciais que tornarão a atividade extremamente onerosa. Em segundo lugar, o marco legal terá que definir as especificidades dos títulos de dívida que financiarão o mercado de hipoteca reversa. Junto a isso, faz-se necessário o surgimento de mercado de seguros específico para hipoteca reversa capaz de abarcar os riscos inerentes a esse produto.

Com a hipoteca reversa é possível transformar o ativo imobiliário em renda para os idosos e resolver um grave e silencioso problema social. Para que esse instrumento útil e moderno tenha sucesso no Brasil é fundamental que haja um esforço coordenado entre o poder público e os órgãos reguladores do mercado de capitais brasileiro.
 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Problemas?


Problemas? use o bom humor e a maturidade! Se não solucionar, pelo menos o problema fica menor e a vida mais leve. Por: MC

A mente futurística: otimistas vivem mais


seg, 25/07/11   por Alysson Muotri | categoria Espiral   G1

Leciono neurociências para estudantes das áreas de saúde e costumo começar uma das aulas pedindo para levantarem a mão aqueles que se acham mais inteligente do que a média. Como esperado, a grande maioria das pessoas acredita que se encaixa nos 10% mais espertos do planeta– o que é simplesmente impossível. O mesmo truque aplica-se quando pergunto quem se acha bom motorista, quem tem filho prodígio ou mesmo quem acredita que viverá até os 100 anos. Sempre superestimamos nossa própria capacidade e esperamos que o futuro será muito melhor do que a realidade.
O fenômeno é uma característica tipicamente humana, conhecida como “viés otimista”, atingindo todas as faixas etárias, independente de religião, classe econômica, etc. Vale notar que o pessimismo social, principalmente após um desastre natural (tornado, enchente) ou evento marcante (corrupção, assassinato), pode crescer coletivamente na população. Mas não é sobre isso que estou me referindo, o otimismo pessoal é resistente a tudo.
Essa distorção positiva da realidade tem consequências sérias para o próprio indivíduo: você não se prepara pra uma prova o quanto deveria, não se arrepende de uma decisão errada ou não acha que precisa ir ao médico. Por outro lado, esse otimismo inspira, nos motiva a continuar seguindo em frente ao invés de simplesmente desistir de algo.
A lição é simples, sem otimismo nossos ancestrais estariam acomodados em cavernas, sonhando com dias melhores, e não estariam dispostos a migrar para áreas desconhecidas em busca de melhores condições.
Para progredir na vida, precisamos imaginar realidades alternativas, melhores do que a que temos, e realmente acreditar que possamos atingi-las. Essa fé ajuda a focar nos objetivos e metas individuais. Por isso mesmo, pessoas otimistas tendem a trabalhar mais e a ganhar melhores salários. Também têm melhores poupanças. Apesar de não se divorciarem menos do que os pessimistas, os otimistas têm mais chances de se casar novamente. É o real triunfo da esperança sobre a experiência.
E mesmo que esse otimismo pareça uma ilusão futurística, o fato de ser otimista traz vantagens imediatas. Pesquisas mostram que ter esperanças e imaginar situações melhores mantém a mente livre de estresse e melhora o condicionamento físico. O pensamento positivo é um dos fatores principais para o envelhecimento sadio. Pessoas otimistas com doenças do coração, por exemplo, tendem a cuidar da dieta e fazer mais exercícios do que os pessimistas, reduzindo o risco de uma futura complicação. O mesmo acontece com pacientes com câncer. Os desesperados morrem mais cedo.
Tudo leva a crer que o otimismo estaria estampado geneticamente em nosso genoma, afetando redes neurais específicas. Essa conclusão é de suma importância para psicologia e neurociência: nosso cérebro não reflete apenas o que aconteceu no passado, durante a evolução. Nosso cérebro estaria sendo constantemente modelado pelo futuro.
Fortes evidências de que isso realmente acontece vem de trabalhos que buscam a reconstrução de memórias humanas após acidentes graves. Pessoas que presenciaram momentos dramáticos (de dor ou perda) diluem detalhes importantes dessas memórias com o tempo. Seria como se o cérebro forçasse a mente a esquecer, ou mesmo atenuar, o incidente. Mães em partos traumáticos tentam um segundo filho. Surfistas atacados por tubarão sonham em voltar a surfar no mesmo local. O cérebro não parece ser programado para o replay de memórias traumáticas. O cérebro está programado para memórias futuras, inserindo e deletando informações importantes, criando uma imagem futurística muito melhor do que o passado ou realidade.
Repare que isso acontece conosco o tempo todo, mesmo em ações mundanas, banais. Sempre esperamos mais, algo inusitado, que seremos premiados de alguma forma. Se tivermos que imaginar uma viagem longa de avião, pensamos na comida, no filme, nas pessoas interessantes que vamos conhecer. Nunca pensamos no incômodo das poltronas, nos atrasos, ou no bebê chorão. O mundo do futuro é muito melhor do que a realidade. Nossa tendência otimista parece ser uma consequência de como a evolução selecionou a atual arquitetura do cérebro do homem moderno.
Um ser otimista é um ser que consegue se projetar no futuro. Nesse aspecto, o cérebro humano é extraordinário, uma perfeita máquina do tempo. Pode parecer trivial, mas a capacidade de nos posicionarmos no passado e no futuro foi essencial para nossa sobrevivência. É relativamente simples de entender porque essa habilidade foi selecionada. O planejamento racional, de comida, aquecimento, etc, permite usufruirmos disso tudo em épocas mais difíceis. O mesmo mecanismo nos permite antecipar como as ações que acontecem hoje irão influenciar as futuras gerações. Afinal, se não fosse isso, estaríamos realmente preocupados com o aquecimento global?
A contrapartida dessa vantagem parece ser a aquisição da consciência de que somos mortais. Essa consciência deve ter levado centenas de populações humanas para um beco-evolutivo sem saída. A consciência da morte atrapalha a evolução. Discuti esse ponto anteriormente (clique aqui para ler) e acredito que o fator principal que tenha favorecido o Homo sapiens entre as outras populações humanas foi a paralela evolução da negação da morte. A única forma de obtermos a consciência de viajar mentalmente no tempo foi com o concomitante surgimento do otimismo irracional. A consciência da morte teve que emergir lado-a-lado com nossa persistente habilidade de imaginar um futuro melhor.
E quais seriam as redes neurais responsáveis pelo otimismo humano? A capacidade de imaginar o futuro é codificada parcialmente por uma região do cérebro chamada de hipocampo. Pessoas com danos no hipocampo não conseguem reaver memórias do passado. Também não conseguem projetar imagens ou cenários no futuro. Essas pessoas estão presas no presente. Com o hipocampo intacto, nós transitamos no tempo constantemente: lembramos de uma conversa que tivemos ontem e o que vamos comer no jantar de amanhã. Outras regiões que se mostraram importantes em trabalhos de ressonância magnética foram o córtex prefrontal, a amígdala e o córtex cingulato anterior. Essas regiões são ativadas precisamente quando temos pensamentos positivos e são menos ativas em pessoas altamente deprimidas. Pessoas com depressão moderada são, possivelmente, as mais realistas. É interessante notar que, na ausência de circuitos neuronais que ressoem o otimismo, os humanos seriam todos moderadamente deprimidos.
Por fim, talvez a questão mais relevante pra mim seja como conseguir levar adiante nosso otimismo, sem cairmos na própria armadilha de criar algo irreal. Autoconsciência do otimismo pode ser uma solução. O reconhecimento da própria ilusão otimista pode nos proteger de decisões erradas. Não é ruim pensarmos que viveremos até os 100 anos e buscar motivação para isso. Mas também não é mal começarmos a pagar aquele seguro saúde.
Tenho certeza de que o dia amanhã vai ser ensolarado, com belas ondas quebrando na Califa. Pode ser, mas tenho sempre um tapete de ioga no carro no caso do tempo virar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dieese: nível de emprego é bom, mas salários estão baixos

De acordo com o economista Sérgio Mendonça, 90% dos postos de trabalho criados atualmente pagam até dois salários mínimos

Vinicius Konchinski, da 

Segundo Mendonça, a taxa de desemprego recorde divulgada hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o número de vagas criadas no país segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o mercado de trabalho no Brasil está aquecido. Apesar disso, disse ele, a remuneração dos trabalhadores ainda é baixa.
São Paulo – A criação de postos de trabalho e a redução do desemprego não são mais os maiores desafios do mercado de trabalho brasileiro, segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sérgio Mendonça. Na opinião dele, o país precisa, agora, priorizar melhorias na qualidade.
“Somos um país que, historicamente, tem salários baixos”, disse Mendonça à Agência Brasil. “Precisamos melhorar a qualidade dos nossos empregos e o valor dos salários pagos aos trabalhadores para alcançarmos um desenvolvimento social ainda maior.”
Segundo Mendonça, 90% dos postos de trabalho criados no Brasil atualmente são formais. Contudo, essas vagas pagam até dois salários mínimos aos trabalhadores (R$ 1.090,00). “Comparado com o salário de outros países, é pouco”, complementou o economista.
Para melhorar a remuneração dos trabalhadores, Mendonça disse que é fundamental que o país desenvolva setores econômicos que, tradicionalmente, remuneram bem. Entre esses setores, o economista destaca a indústria, o setor financeiro e o de saúde.
Ele disse também que é preciso que o país invista na formação de seus trabalhadores para que as vagas de bons salários possam ser preenchidas. “Ainda temos um problema de formação básica. Precisamos investir na educação”, disse Mendonça.
Sobre as perspectivas do mercado de trabalho para os próximos meses, a análise do economista é positiva. Ele afirmou que, no segundo semestre, a geração de vagas geralmente é maior que no primeiro semestre. Ele ressaltou, porém que os resultados consolidados do mercado em 2011 não devem ser tão bons quanto os alcançados no ano passado.
“O emprego cresce no segundo semestre. Isso é sazonal”, explicou Mendonça. “Agora, o desaquecimento da economia como um todo pode fazer com que o crescimento das vagas não seja tão grande quanto o do final do ano passado.”
Em 2010, o Brasil criou mais de 2,5 milhões de vagas de trabalho. No primeiro semestre deste ano, segundo o Caged, já foram criados 1,41 milhão de empregos,

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

APÓS PAGAR, SAIBA GUARDAR.




Documentos Diversos
Tipos de documentoPrazos de guarda
Contas de água, luz, gás, telefone, TV a cabo e internet5 anos
Fartura do cartão de crédito1 ano
Carnes de Crediário2 anos
Extratos bancários1 ano
Consórcio de veículosAté liberar alienação
Consórcio de imóveisAté Obter escritura definitiva
Contracheques5 anos
Notas FiscaisGarantia ou vida útil do bem
Recibos de condomínios5 anos
Recibos de aluguel3 anos
Recibos de pagamento da Casa PrópriaAté Obter escritura definitiva
Escritura de imóvelIndeterminado
Recibos de pagamento de doméstica5 anos
Contratos de Seguro1 ano
Recibos de planos de saúde5 anos
Carnes do IPTU / Taxa do lixo5 anos
Recibos do IPVA5 anos
Carnes do INSSAté Obter o benefício
Declaração do IR5 anos *
* Contatos do dia primeiro do ano seguinte ao da entrega da declaração

BUROCRACIA E CUSTO PARA AS EMPRESAS
Prazos que as empresas Têm para guardar documentos trabalhistas e outros
TIPOS DE DOCUMENTOSPRAZOS DE GUARDA
CAT. (Comunicação de Ac. Do Trabalho)10 anos
Comprovante do Exercício de atividade remunerado dos seg. e contr.individuaisindeterminado
Documento de retenção de 11% ao INSS10 anos
Folha de pagamento10 anos
Guia da Previdência Social10 anos
Atestado de Saúde OcupacionalTempo de validade
Aviso prévio comunicado ()2 anos
Caged3 anos
CONTRATO DE TRABALHOindeterminado
Cofins10 anos
FGTS (depósitos)30 anos
GFIP / SEFIP30 anos
Pedido de demissão2 anos
Perfil Profissiográfico Previdenciário20 anos
PIS / Pasep10 anos
Recibo de entrega do Vale-Transporte5 anos
Recibo de pagamentos de salários10 anos
Recibo de pagamentos de férias10 anos
Recibo de pagamento de 13 º salário10 anos
Rais5 anos
Relação de dep.bancário de salários5 anos
Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho2 anos
Comp. de Rend.Pagos e de Retenção na Fonte5 anos
Per / Dcomp5 anos
DCTF5 anos
Dirf (Declaração de IR na fonte)5 anos
Dimob5 anos
Declaração do ITR5 anos
Dacon5 anos
DIPJ5 anos
Fonte: Sescon-SP

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O que vocês acham desta campanha?


Ninguém segura este velhinho

Marili Ribeiro - O Estado de S.Paulo


As filmagens realizadas em Porto Alegre (RS), com temperatura próxima de zero grau, viraram um sacrifício para a "enfermeira" gostosa em sua roupa minúscula. Mas esse foi o único inconveniente durante a gravação do comercial da Ipiranga para o novo óleo lubrificante para motos de baixa cilindradas.
Para vender a ideia de que a linha possui tecnologia exclusiva que aumenta o rendimento e durabilidade do motor, a agência de propaganda Talent propôs uma cena inicial com a câmera fechada no rosto de um homem idoso de capacete. A trilha sonora é do tipo que remete ao eterno sonho do "road movie" e sua sensação de aventura. Mostra-se então o velho dirigindo sua moto ladeado pela enfermeira segurando o reservatório de soro.
A cena suave e divertida é acompanhada da mensagem: "sua moto tem que durar tanto quanto você". Para tal, basta usar um bom lubrificante. 

domingo, 31 de julho de 2011

Novas pesquisas confirmam que tarefas diárias como cozinhar e cuidar do jardim também protegem os neurônios

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/07/29/novas-pesquisas-confirmam-que-tarefas-diarias-como-cozinhar-cuidar-do-jardim-tambem-protegem-os-neuronios-925008508.asp
Antônio Marinho (amarinho@oglobo.com.br)



RIO - Caminhar pelo bairro, cozinhar, cuidar do jardim e outras tarefas rotineiras gastam poucas calorias, mas podem ser os melhores exercícios para deixar o seu cérebro em forma e evitar falhas de memória, antes e depois dos 60 anos. A boa notícia de que não é preciso se esfolar em exercícios intensos e suar em bicas para ter neurônios ativos por muitos anos foi comprovada em pelos menos três estudos divulgados esta semana, e pesquisadores brasileiros confirmam que atividades leves a moderadas protegem o cérebro de verdade.
Um dos estudos, liderado por Laura Middleton, da Universidade de Waterloo, no Canadá, mediu o gasto energético e a capacidade cognitiva de adultos acima de 60 anos, por dois a cinco anos. A maioria lidava com tarefas domésticas e os dados surpreenderam.
- O grupo mais ativo sofreu poucos danos cognitivos. Nosso estudo indica que não é preciso se dedicar a um treino vigoroso para proteger a mente - afirma Laura, cuja pesquisa foi publicada na "Archives of Internal Medicine". - Isso é alentador e deveria inspirar aqueles que se incomodam só com a ideia de ter que fazer qualquer exercício.
Pouco tempo já faz efeito
Outra pesquisa, coordenada por Jae H. Kang, do Hospital de Brigham e da Mulheres da Escola de Medicina de Harvard, apontou resultado semelhante. A equipe acompanhou durante cinco anos mulheres de 70 anos com risco de doenças cardiovasculares, que contribuem para derrame e demência. O máximo de esforço que elas faziam era caminhar. Mesmo assim testes indicaram declínio na velocidade de perda cognitiva nas mais ativas.
Isso não surpreende a psicóloga Aline Sardinha, do Laboratório de Pânico e Respiração (IPUB/UFRJ). O exercício ajudaria a liberar substâncias cerebrais que, além de bem-estar e redução da ansiedade, favorecem o desenvolvimento de neurônios e a formação de novas conexões (sinapses), o que permitiria manter a capacidade cognitiva.
- As atividades domésticas também exigem que o cérebro exercite sua capacidade cognitiva, de processar informação, de organizar o comportamento através de planos, de armazenar itens na memória, de focalizar a atenção. Isso ajuda a compensar perdas neuronais, pela formação de sinapses ou fortalecimento das já existentes - diz Aline.
E vale se mexer em qualquer idade, porque as formações de neurônios e de novas sinapses (neuroplasticidade) continuam ocorrendo em algumas partes do cérebro, como o hipocampo, área importante para memória e aprendizado.
- Atividades em geral parecem ter algum efeito protetor - afirma a psicóloga.
Turíbio Leite de Barros Neto, coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (CEMAFE) e professor da Unifesp, concorda.
- Os exercícios mais leves podem proporcionar mais benefícios ao cérebro porque a sensação de prazer ao praticá-los são um ingrediente essencial para a química cerebral - comenta Turíbio. - O que parece importante é acumular um certo gasto calórico, cerca de 2.200 calorias por semana em atividades físicas e/ou ocupacionais, pelo menos três vezes por semana.
O neurologista Sérgio Novis, da Academia Nacional de Medicina, é da mesma opinião, e diz que as atividades leves a moderadas ajudam a controlar pressão alta e diabetes, fatores que contribuem para a demência vascular.
- A atividade física estimula a circulação melhorado o metabolismo cerebral - diz.
Foi o que indicou outro trabalho inédito realizado por uma equipe da Universidade de Columbia Britânica, publicado na revista "Neurobiology of Aging". Este estudo concluiu que o treino leve com pesos melhorou o fluxo de sangue e a capacidade de raciocínio em mulheres acima de 60.
Depois de passarem 12 meses se exercitando com pesos duas vezes por semana, elas tiveram desempenho superior em testes de capacidade mental em relação ao grupo de controle que havia participado de um programa para melhorar o equilíbrio e o tônus muscular. Imagens de ressonância revelaram que áreas do cérebro que controlam o pensamento permaneciam mais ativas nas mulheres que se exercitaram com musculação leve.
Também a equipe da pesquisadora Andrea Deslandes, do laboratório de Neurociência da Atividade Física na UFRJ e na UGF, constatou que a atividade física leve é excelente para o cérebro de idosos, conta o professor Andre Leta, diretor-técnico da Pro Forma. As pesquisas mostraram melhora significativa na saúde do cérebro com apenas duas sessões semanais de 30 minutos de treino aeróbio e força.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A felicidade exige valentia.

A felicidade exige valentia.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para
ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte